"No fundo de tudo há a aleluia." (Clarice Lispector)

quarta-feira, 20 de abril de 2011

"A máscara, ao desindividualizar a pessoa, individualiza o eu profundo".

C.Drummond de Andrade em "O Avesso das Coisas"

Obs. a mesma máscara trabalhada com efeitos Photoshop, aqui e agora.

Depus a máscara e vi-me ao espelho. —


http://arquivopessoa.net/images/proj-logo.png


Depus a máscara e vi-me ao espelho. —

Era a criança de há quantos anos.

Não tinha mudado nada...

É essa a vantagem de saber tirar a máscara.

É-se sempre a criança,

O passado que foi

A criança.

Depus a máscara e tornei a pô-la.

Assim é melhor,

Assim sou a máscara.

E volto à personalidade como a um terminus de linha.

Álvaro de Campos.

Observação.

Assim sou a máscara/ assim sem a máscara >( leva a pensar.)

8-8-1934

Poesias de Álvaro de Campos. Fernando Pessoa. Lisboa: Ática, 1944 (imp. 1993).

- 61.

Lapso corrigido segundo: Álvaro de Campos - Livro de Versos. Fernando Pessoa. (Edição crítica. Introdução, transcrição, organização e notas de Teresa Rita Lopes.) Lisboa: Estampa, 1993.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

07/04/2011 - 7 = 07/04/2004

Hoje, sete de abril,

vou levar lá na capela

sete flores amarelas

e também uma cestinha

de docinhas cirigüelas

ao anjo que sempre zela

por aquela magricela

de cabelo com fivela

e bastante tagarela.

É aniversário dela:

convidou suas amigas

que também estão banguelas

e na espera todas elas

pra assoprar as sete velas

depois de assistir ao filme

não da tal da Cinderela

e sim o da Rapunzel,

que para poder rimar

vou chamar de Rapunzela.

Para a neta Ana Bela

um abraço bem gostoso

do vovô de barba branca

e da vovó matusquela.

carmen cynira