carmen cynira
"No fundo de tudo há a aleluia." (Clarice Lispector)
sexta-feira, 15 de agosto de 2008
domingo, 10 de agosto de 2008
Trinta X Dois + Sete

“já se aprendeu os limites da ilha.”
“Já se sabe
de onde sopram os tufões
e, como o náufrago que se salva,
é hora de auto-cartografar-se.
Já se sabe
que um tempo em nós destila,
que no tempo
nos deslocamos,
que no tempo
a gente
se dilui e se dilema.
Fazer trinta anos
é como uma pedra
que já não precisa
exibir preciosidade,
porque já não cabe em preços.
É como a ave que canta,
não para denunciar-se,
senão para amanhecer.”
(Affonso Romano de Sant’Anna)
quinta-feira, 7 de agosto de 2008
AH! Passarinha.
(foto de carmen cinira, julho 2008)Esta nevralgia!
remete a nevralgias outras:
a trigêmea nevralgia.
a explodir a cabeça.
Pouco a pouco
rarefeitas
causas e motivos.
Ah!
dor do parto
difere em
dimensão ou natureza:
parto é álgico
não nevrálgico:
nele
há explosão de vida.
Nas nevralgias,
rodamoinho
de pequeninos espinhos,
tonta,
galopa à toda
e à toa.
a buscar o meio.
carmen cynira
quarta-feira, 30 de julho de 2008

... é cair em área sagrada.
“Fazer trinta anos é como sair do espaço e penetrar no tempo.
E penetrar no tempo é mister de grande responsabilidade.
É descobrir outra dimensão além dos dedos da mão.
É como se algo mais denso se tivesse criado
sob a couraça da casca.
Algo,
no entanto,
mais tênue que uma membrana.
Algo
como se um centro,
às vezes móvel,
é verdade,
mas um centro de dor colorido.
Algo mais
que uma nebulosa,
algo
assim pulsante
que se entreabrisse
em sementes”.
“Affonso Romano de Sant’Anna”
segunda-feira, 28 de julho de 2008
Duas Vezes Trinta Mais Sete

Duas vezes trinta...
mais sete...
Sessenta e sete anos hoje!
Onde é mesmo que estou?
Aqui e agora
a agradecer o
que me diz
Affonso Romano de Sant’Anna
em“Fazer 30 anos”.
“Fazer 30 anos é coisa fina,
é começar a provar
o néctar dos deuses
e descobrir
que sabor
tem a eternidade.
O paladar, o tato,
o olfato, a visão
e todos os sentidos
estão começando a tirar
prazeres indizíveis das coisas.
Fazer 30 anos,
bem poderia dizer Clarice Lispector,
é cair em área sagrada”
(Affonso Romano de Sant’Anna)
quinta-feira, 17 de julho de 2008
Ah! Como me dói a cabeça!

como dói,dói,dói
e outra vez e ainda
dói, dói dói
(seu nome,
engraçado e risível,
cefaléias em salvas)
dói
no mais fundo lá dentro
assim,
o corpo expressa
a dor
o que move a alma
na procura vã
da impossível alma irmã
corpo suado
mão trêmula
chuva a cair
noite a passar
papel, caneta
desordem sobre a mesa
medo da loucura
maior que o medo da morte
não
não se pode romper o fio
no limiar do abismo
a ser, ainda, atravessado
bendizer essa dor pungente
deixar
rolarem lágrimas
fluírem angústias.
agora,
nesta mesma hora,
onde solidão maior
ainda mora
a saudade de horas
outras horas
co-labora na beleza
no brilho
da chama
das almas
de quem ama
imagem-paisagem
desejo verde-rosa
de expirar
tons do amor
explode, só,
vulcão de vida rarefeita
se ondula em marola
a chama de uma vela
reina
e chama
para,
nas lonjuras da alma,
modelar a vida.
Carmen Cynira
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