"No fundo de tudo há a aleluia." (Clarice Lispector)

quarta-feira, 17 de março de 2010

Aforismos e Afins

"A loucura, longe de ser uma anomalia, é a condição normal humana.
Não ter consciência dela, e ela não ser grande, é ser homem normal.
Não ter consciência dela e ela ser grande, é ser louco.
Ter consciência dela e ela ser pequena é ser desiludido.
Ter consciência dela e ela ser grande é ser gênio."

(Fernando Pessoa / Aforismos e Afins

segunda-feira, 15 de março de 2010

Aforismos



Loucura

- A loucura é diagnosticada pelos sãos, que não se submetem a diagnóstico.
- A demência não impede o exercício de altas funções, mas não é indispensável para exercê-las.
- Num mundo em que a loucura se vai tornando compulsória, nem por isso se concedem privilégios aos loucos.

-Há um limite em que a razão deixa de ser razão, e a loucura ainda é razoável.

O Avesso das Coisas / Carlos Drummond de Andrade

terça-feira, 9 de março de 2010

Historinha



Apeles um pintor grego, considerado um dos mais importantes pintores da Antiguidade.

Diz a lenda que Apeles tinha o hábito de expor seus quadros ao público e se escondia para ouvir os comentários que faziam.

Certo dia expôs uma bela figura feminina. A modista da aldeia observou o quadro e comentou sobre o vestido. Em seguida, veio o cabeleireiro, que também fez observações. Por último veio o sapateiro que ficou estupefato com a pintura, mas disse que colocaria uma fivela no sapato.

Apeles, que anotava tudo, embrulhou o quadro e o levou para fazer os retoques.

No dia seguinte, voltou a expor o quadro. A modista e o cabeleireiro ao verem a pintura ficaram maravilhados. Quando o sapateiro chegou, ao olhar o quadro, comentou:

“Os sapatos ficaram ótimos, mas o vestido...”

Ao ouvir o comentário, Apeles ficou enfurecido e interrompendo o sapateiro, gritou:
“Não vás além dos sapatos”, que originou a máxima latina
“Ne sutor ultra crepidam judicaret” (Não deve o sapateiro julgar além da sandália),
o que nos alerta sobre a necessidade da consciência que devemos ter sobre os nossos limites.
Fonte: Revista Cana Mix Edição Especial, set.2009.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Rumo a(à) Eternidade.
Inscrição para um epitáfio
terno rumo a eternidade
lá onde fantasia não se enterra
e~ terna e viva que é
e sempre está sendo
e morrendo e sendo
renascendo
ressuscitando
sem temor
a morte
amor
temor

carmen cynira
2010

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

TODOS NO BOTE AO SOL DA TARDE






Todos no bote ao sol da tarde,
cheios de alegria flutuando
mãozinhas desajeitadas
os remos e os lemes comandando,
a tatear nas águas ondeadas,
desliza o divertido bando.

Oh! Minha nossa, que dor!
em meio a essa linda cena,
me pedirem: ”Conte uma história”!”“
é mesmo de não ter pena.
Mas, quem pode resistir
a três traquinas pequenas?

A Rainha Primeira ordena:
“Comece já!”, ela disse.
Mais calma, a Segunda rainha
pede:” Historia com maluquice!”
A Terceira, sendo menor,
tagarela, imita Alice.

Logo porém se fez silêncio.
Começa o conto e a fantasia,
lá no País das Maravilhas,
sobre a menina que fazia
a viagem com estranhas criaturas,
bichos, sonhos e anarquia.

Uma história quase fim.
Sempre que o contador, cansado,
dizia: “O resto virá depois”,
ouvia o resmungo irritado:
“Ora, se o resto é que é o melhor...”
“Pois continue, muito obrigado!”

A história então nasceu,
lá no País das Maravilhas,
os episódios iam surgindo,
como fossem ilhas mais ilhas,
até o passeio se acabar,
pôr do sol, brisa fria, mantilhas.

Alice! Eis aqui a tua história,
contada assim em verso e prosa,
a imaginação fiel da infância,
colhida, um broto de rosa,
aroma mestiço da memória,
numa terra misteriosa.

“Alice nos Pais das Maravilhas”,
Tradução: Nicolau Sevcenko
Cosac Naif, 2009

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Antepassados

Cristina e Jacob Schultz, imigrantes letos e seus três primeiros filhos:
Guilherme, Elza e Wilma.
Nova Europa, São Paulo,
Brasil
1911