"Há algum que tenha a chave da porta do ser, que não tem porta,
e me possa abrir com razões a inteligência do mundo?"
( Fernando Pessoa)
"No fundo de tudo há a aleluia." (Clarice Lispector)
sexta-feira, 9 de julho de 2010
sexta-feira, 25 de junho de 2010
domingo, 13 de junho de 2010
Parabéns,Fernando Pessoa!


Amigo Fernando:
Vou cantar-lhe os Parabéns a você /nesta data querida...
E soprar as 122 velas que assinalaram em 2010, a sua imortalidade.
Porque você merece, hem?
você fernando, você álvaro,você ricardo, você bernardo,
você homem de tantos nomes ( 72 apenas?),
você que quis ser o supra-Camões(?)e toda uma literatura,
você argonauta das sensações verdadeiras,
você para quem
NAVEGAR É PRECISO, VIVER NÃO É PRECISO,
você que quis ser poeta FINGE-DOR (?),
você, coração de ninguém,
você que se propôs ser indisciplinador de almas
e continua a indisciplinar as nossas...
Amelia Pais, Fernando Pessoa, O menino da sua mãe.
sábado, 12 de junho de 2010
quinta-feira, 3 de junho de 2010
Protetora Resoluta

Há exatamente um século, nasceu minha mãe.
Seu nome Wilma Schultz.
Wilma é diminutivo de Willelmina e significa protetora resoluta.
"Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga,
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada
água pura, ar puro,
puro pensamento."
(Carlos Drummond de Andrade, Lição de Coisas/Para sempre)
domingo, 16 de maio de 2010
Guilherme de Almeida -1928
Guilherme de Almeida -1928
VERDADE
Ofereci minha alma em holocausto
à dor, buscando a solidão de um claustro,
onde, com num Oasis calmo e verde
a caravana branca mata a sede;
onde, aspirando aos céus, os corpos murchos
são como as flores de água dos repuxos;
onde a alma se levanta, quando à sombra
dos mágicos vitrais o corpo tomba,
e acompanhando o rastro do seu próprio sonho
ela gira como um heliotrópio...
Quis achar a verdade – e ainda hoje busco
a cisterna de pedras e de musgo,
onde ela dorme nua, como dormem
meus olhos dentro de uns olhos de homem.
No olhar do meu Senhor, como num poço,
procurei o reflexo misterioso
da verdade encantada; mas, no fundo,
trêmulo e pensativo como um junco,
achei apenas, num reflexo morto
a harmoniosa mentira do meu corpo!
VERDADE
Ofereci minha alma em holocausto
à dor, buscando a solidão de um claustro,
onde, com num Oasis calmo e verde
a caravana branca mata a sede;
onde, aspirando aos céus, os corpos murchos
são como as flores de água dos repuxos;
onde a alma se levanta, quando à sombra
dos mágicos vitrais o corpo tomba,
e acompanhando o rastro do seu próprio sonho
ela gira como um heliotrópio...
Quis achar a verdade – e ainda hoje busco
a cisterna de pedras e de musgo,
onde ela dorme nua, como dormem
meus olhos dentro de uns olhos de homem.
No olhar do meu Senhor, como num poço,
procurei o reflexo misterioso
da verdade encantada; mas, no fundo,
trêmulo e pensativo como um junco,
achei apenas, num reflexo morto
a harmoniosa mentira do meu corpo!
Guilherme de Almeida -1928Livro de Horas de Sóror Dolorosa -“A que morreu de Amor”
domingo, 2 de maio de 2010
Os Espelhos

OS ESPELHOS
Os espelhos acendem o seu brilho todo o dia
Nunca são baços
E mesmo sob a pálpebra da treva
Sua lisa pupila cintila e fita
como a pupila do gato
Eles nos reflectem.Nunca nos decoram
Porém é só na penumbra da hora tardia
Quando a imobilidade se instaura no centro do silêncio
Que à tona dos espelhos aflora
A luz que os habita e nos apaga:
A luz arrancada
Ao interior de um fogo frio e vítreo
Sophia de Mello Breyner Andersen // Geografia
Os espelhos acendem o seu brilho todo o dia
Nunca são baços
E mesmo sob a pálpebra da treva
Sua lisa pupila cintila e fita
como a pupila do gato
Eles nos reflectem.Nunca nos decoram
Porém é só na penumbra da hora tardia
Quando a imobilidade se instaura no centro do silêncio
Que à tona dos espelhos aflora
A luz que os habita e nos apaga:
A luz arrancada
Ao interior de um fogo frio e vítreo
Sophia de Mello Breyner Andersen // Geografia
Assinar:
Postagens (Atom)

